Maria Callas em Lisboa. O vestido que usou na "Tosca" de Zeffirelli e que esteve nos palcos das grandes óperas como Covent Garden, a Ópera National de Paris e a Metropolitan Opera House de Nova Iorque e as cartas que trocou com Pasolini ou Béjart são alguns dos detalhes que povoam a exposição. Em 1958, a mais trágica das divas actuou no Teatro Nacional de São Carlos. Faz este ano cinquenta anos que a cantora pisou pela primeira e única vez um palco português. Foi em 27 de Março. A prima-donna que estava no seu auge e acabara de protagonizar um escândalo ao deixar o teatro, em Roma, no fim do primeiro acto da "Norma", temia a reacção do público lisboeta, considerado exigente. A boa sociedade de Lisboa compareceu em peso. Entre eles o Presidente Craveiro Lopes e mulher, o Rei Humberto II e a sua filha, princesa Maria Gabriela de Sabóia, e altas figuras do regime. Relatam as crónicas que Maria Callas cantou maravilhosamente "A Traviata", com Alfredo Kraus e com os portugueses Maria Cristina de Castro e o baixo Álvaro Malta, em início de carreira. Para comemorar os 50 anos da sua visita ao nosso país, a Fundação EDP e o São Carlos organizaram "Maria Callas - A Exposição de Lisboa", que reúne 43 vestidos, de cena e pessoais, a sua colecção de jóias (que inclui a coroa de "Norma" criada por Christian Dior) e diversos documentos, como as últimas cartas que Callas escreveu a Onassis (na altura, já comprometido com Jackie Kennedy). Para além destes objectos, pertencentes à colecção de Bruno Tosi, Presidente da Associazione Internazionale "Maria Callas", a exposição apresenta ainda um núcleo dedicado à passagem da cantora por Lisboa - os cenários do Acto II, expostos agora ao público pela primeira vez desde 1958, fotografias inéditas, recortes de imprensa ou, por exemplo, o programa de sala autografado. A exposição contempla também pequenas cabines onde são exibidos filmes sobre a cantora e no final há uma espécie de refúgio para se escutar a voz do soprano. Uma excursão sobre o mito: da sua ascensão até ao firmamento das dive assolute. Precocemente a baptizaram de La Divina. A divina que um dia baixou sobre a cidade das sete colinas para largar Violettas. Senti-me afortunado naquele ambiente operático e quando saí do museu, curiosamente da electricidade, é como se as luzes, todas elas, se tivessem apagado…
Ler texto da Crónica Feminina aqui.
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