A tarde passou a galope e ao fim do dia rumei para o teatro que se vem consolidando como "casa da dança". Teatro Camões. A Companhia Nacional de Bailado (CNB), com residência no parque das nações, exibe três estreias no mesmo espectáculo. Para iniciar "Front Line", uma coreografia de Henri Oguike. Seguiu-se "Lento para Quarteto de Cordas", de Vasco Wellenkamp, sobre a música de Anton Webern e interpretada pelo mesmo quarteto, bem como "Cantata", de Mauro Bigonzetti. "Front Line" é inspirada no Quarteto de Cordas nº 9, de Shostakovich, que recorre a três dos cinco andamentos que compõem esta obra: Allegretto, Adágio e Allegro. A criação de Vasco Wellenkamp parte do registo lírico da Langsamer Satz für Streichquartett (movimento lento para quarteto de cordas) de Anton Webern. Bigonzetti criou "Cantata" a partir de canções tradicionais napolitanas do século XVIII. Para o coreógrafo italiano, a peça incide nas fortes semelhanças que considera existirem entre a cidade italiana de Nápoles e Lisboa: ambas são litorais, com bairros antigos e mulheres parecidas na beleza, no espírito e no carácter apaixonado.Tendo sido um cliente mais ou menos assíduo do inesquecível e extinto Ballet Gulbenkian venho procurando a redenção no Passeio Neptuno. Dizem os críticos da área que a CNB, ao longo destes anos, regista uma verdadeira melhoria na qualidade de dança que oferece, o que se pode observar não só pelos próprios bailarinos, como também pela diversidade e originalidade coreográfica. Penso que foi isso que aconteceu e bem ontem à noite naquele teatro à beira rio plantado…





