Thursday, November 08, 2007

com uma mãe por detrás...

Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados

Hoje é o dia de aniversário da minha mãe – como se, todos os dias, não fossem os dias de anos da minha mãe, que são os dias da ternura dela, das tarefas dela, das canseiras dela, das desventuras dela, dos recomeços dela. A minha mãe veio de um mundo de calor e dores para me dizer certos segredos. Vem de um sonho tomado da infância, quando comigo deitada nos lençóis me abraçava. Ela voa, como os anjos. Como os rios por dentro das nuvens. A insensibilidade e o machismo de uma época não a permitiram voar tanto, quanto ela queria. Merecia mais. Parecia a Pipi das Meias Altas, loira arruivada e sardenta, quando chegou menina e moça a Évora, vinda da aldeia. Na vida foi patroa e empregada, empregada e patroa. Criou-nos atenta. Sou o mais novo de três e os filhos são para ela as âncoras da sua vida. A minha mãe não pára, parece uma formiguinha. Anda o dia todo e ainda tem disposição para sair seja lá para onde for. Ela emerge, cada madrugada, para completar mais um dia inteiro de vigilância sobre todos. É a mulher, a mãe, a avó, a amiga, o encontro, o renovo, a que multiplica, a que nunca se desfaz, a que nunca se enreda, a que está sempre e sempre desperta. Ela é atenciosa, está sempre pronta para ajudar a quem quer que seja, numa entrega total. É a psicóloga, a enfermeira. Estás doente? Lá vem ela com uma palavra quente. Ela comanda, manda, mesmo que não percebamos isso. Lava, enxuga, esfrega, ama, faz, arquitecta, ergue, avança, cozinha, ama, ajusta, remenda, actua, enfrenta, ama, acorda, briga, limpa, estremece, ri, ama, chora, soluça, encoraja, ri, ama. Quanto a minha mãe ama, tantas e tantas vezes em silêncio, na distância, no absurdo, no insuportável! Toma conta de tudo, observadora e atenta sempre tem um alento, que serve de acalento nos piores dias que já vivi. Foi para ela que sempre corri quando me atinge o sofrimento. Foi com ela que chorei a primeira vez – e foi através de um véu de lágrimas que a vi hospitalizada, foi com ela que sorri também. E assim tem sido, durante a minha vida. Foi-me assim possível, desde cedo, observar que nem todas as mães tinham este sentido magnânimo de maternidade, esse entendimento nítido e raro de que lhes competia simplesmente amparar um novo ser humano a ser e a crescer. Aprendi com a minha mãe, sem que ela alguma vez o tivesse manifestado por palavras, que a maternidade é essencialmente dávida, amor e responsabilidade. Juntamente com instinto e ímpeto (como escreve David Mourão-Ferreira: “Não há mulher alguma que no íntimo/não tenha/como as aves o instinto/do ímpeto das asas/e do ninho.”). E algum temor, por certo, já que não é possível sondar previamente aqueles que são convocados para a vida e a quem, por isso mesmo, as mães (e os pais) devem tudo. Mas tal como Pedro Paixão, acerca da sua mãe, também lhe digo muitas vezes que ela “tem culpa de tudo; (mas) falo com ela todos os dias; zangamo-nos muito, não posso passar sem ela.”. Mas também podia citar o escritor quando diz “…mãe, obrigado por desculpares sem ser preciso eu pedir, todas as minhas injustiças e todas as minhas faltas, mãe, enquanto eu viver tu vives sempre comigo e quando eu morrer eu vou logo ter contigo”. Mas Ela está lá, sempre, alerta e a dar carinho e muito, muito Amor. Podia escrever, com gratidão, frases mais longas: foi com a minha mãe que visitei pela primeira vez a cidade que mais me marcou, Londres; foi com a minha mãe (e com o meu pai) que aos 12, 13 e 14 anos corri todos, mas mesmo todos, os teatros de Lisboa; foi com a minha mãe, que perdidos numa noite escura, contámos os trocados para ir ver um espectáculo qualquer que começava bem tarde, mas que nos aliviava de uma noite que prometia ser tensa; foi com a minha mãe que passei a noite quando o meu filho na maternidade teimava em nascer; foi a minha mãe que me ouviu entre sonhos falar alto; foi a minha mãe que não adormeceu em noites longas para que eu pudesse sonhar. Mas também podia escrever, com saudade, que percorria a cidade de Évora toda para lhe oferecer figos – o seu fruto preferido – que comprava no caminho entre os Salesianos e o Bairro da Senhora da Saúde, onde passei a minha infância; que apanhava amores-perfeitos para lhe oferecer e que nunca me esquecia do dia em que fazia anos. E podia voltar a escrever o quanto Ela se sentiu feliz quando um dia me viu subir a escadaria da Faculdade; o quanto me tocou quando ainda muito recentemente a vi ficar à espera que eu entrasse no comboio, pensando que eu a não via, para só depois retomar o seu caminho. Sempre a primeira a chegar, a última a sair, a primeira a telefonar, a última a despedir-se. A minha mãe não é diferente de outras mães, mas, tem uma coisa que outras nem sempre têm: é incondicional!!! Sempre foi e, mesmo que a dor e o sofrimento a abatam, tem sempre o mesmo brilho nos olhos azuis.

Quando penso na minha mãe, penso em algo congénito benigno, de que não me quero curar. Graças a Deus. Afinal, só escrevinhei tudo isto, para dizer que a minha mãe é uma grande mulher...e, agradeço por ser ela, a minha mãe. Eu saí dela mas ficarei intimamente embargado no seu ventre.

Vejo-me, ainda e por fim, tentado a socorrer–me de Almada Negreiros e confessar “Quando ela passa a sua mão pela minha cabeça! Quando ela passa a sua mão pela minha cabeça é tudo tão verdade!”.

Como ela, só mesmo a mãe do João, o meu filho…

Parabéns, Mãe!!!

Com tantos feriados, “pontes” e dias vagos, Senhoras e Senhores Deputados da Nação, solicito – mesmo que o dia 8 de Novembro seja para Vossas Excelências e para a Assembleia um dia banal, de Outono, caracterizado por baixa da temperatura e pelo amarelar das folhas das árvores – que à margem do texto constitucional, mas com os poderes que a lei do amor me confere, seja decretado o dia 8 de Novembro, como o dia da minha Mãe.

Muito obrigado!!!

42 comments:

Sol da meia noite said...

Olha Luís, encontrei nas tuas palavras um hino ao amor incondicional que tens tido a sorte de sentir... o amor de Mãe.

Sente-te feliz!

*

gena said...

Luís

Li duas vezes porque escreveste tudo o que eu sinto pela minha mãe mas nunca tive capacidade para descrever tão bem como tu!
Se ela ainda fosse capaz de entender, lia-lhe para ela perceber porque tenho a sorte de ter um amigo como tu.
OBRIGADA!!!!!

Gena

Letras de Babel said...

bonito.

Jasmim said...

Luís
parabéns pelo lindo texto carregado de ternura que dedica á sua mãe.Acredite que me emocionou bastante.
Um feliz dia 8 que é só amanhã, por mim considerá-lo-ei o dia da mãe do luís.
um bj

Ka said...

Bem, quero comentar e nem sei por onde começar pois lemos estas palavras e ficamos sem conseguir respirar fundo tal é a intensidade com que escreveste.

Incondicional...é exactamente isso que uma mãe sente (ou deveria sentir) pelos filhos...
Acredita que quando a tua mãe ler estas tuas palavras vai sentir-se muito mas muito feliz, não só por saber que gostas dela mas sim por saber que tu percebeste o quanto ela gosta de ti desde o primeiro minuto...mesmo nas vezes em que teve de se zangar contigo, mesmo nos desacordos... Digo isto pois eu como mãe penso que o mais importante é mesmo isso: o meu filho saber o amor incondicional que lhe tenho.
Acredita que qualquer mãe quereria ler ou ouvir palavras destas.
Muitos parabéns à tua mãe, que só pode ser uma pessoa extraordinária para receber esta homenagem. Que vocês tenham amanhã um excelente dia :)
Concordo que o dia de anos de cada mãe devesse ser feriado, pelo menos para a própria e para os filhos para poderem aproveitar bem!

Beijinho

ps - E sim, tu realmente és um afortunado pois muitas pessoas nunca sentiram esse amor incondicional. Aproveita bem!!!

Paula Crespo said...

LINDO!!!

Blue Velvet said...

Luis,
pode parecerfalta de imaginação, mas não é.
Se tivesse que falar da minha mãe escreveria o que escreveste da tua.
Alentejana revolucionária, linda e de porte aristocrático, com um cheiro próprio mesmo quando não põe perfume.
Quando viajo no tempo é sempre o seu cheiro que tenho presente.
Culta, inteligente, altruísta acho que desconhece a palvra egoísmo.
Há dez anos abdicou da sua vida para a dedicar ao meu pai, que sem ela já teria partido.
Sem uma queixa.
Embora com o coração cheio de amargura, nunca deixarei de pensar que ela foi e será sempre, uma Mãe Coragem.
Um muito feliz dia da Tua Mãe.
Beijinhos

Anonymous said...

Lindo! Lindo! Tal como ela!
E essa ligação é a mais forte de todas, e és uma pessoa cheia de sorte, tal como eu.
A minha mãe faz anos dia 11 de Novembro e quero aproveitar tudo o que escreveste para expressar o meu imenso amor por ela.
Relamente somos uns sortudos!
Um grande beijo para ela e para ti também, que também és um doce abrigo sempre que preciso. Só alguém como tu, poderia ter uma mãe como a tua.
Da tua amiga
Luísa Cabral

RedLightSpecial said...

Bem...
Se te disser que comecei a ler-te com um sorriso, pela ternura das tuas palavras... e que acabei a chorar com a intensidade das mesmas...
Se te disser que descreves o que é ser mãe com uma mestria de mulher... acreditas?
Acreditava eu que só uma mulher poderia escrever assim.
Tonta!
E sim, senhores deputados, dia 8 de Novembro é sem dúvida um dia muito especial...
Faz amanhã, dia 8 de Novembro, 4 anos que também eu sou mãe.
E só gostava de ser um bocadinho pequenino do que esta mãe aqui descrita é... realmente gostava!

D. Maria e o Coelhinho said...

ÉS UM FELIZARDO.!!!!

DÁ, POR MIM, UM BEIJO À TUA MÃE (que se vai perder entre os muitos que tu lhe dás e os que ficam só em pensamento).

Para ti um grande abraço e parabéns por teres um filho que também tem uma Mãe como a tua.


Coelhinho (no Purgatório)

pinguim said...

Ao contrário do habitual e do que provàvelmente esperarias, não vou dizer muito, e por uma razão simples; não consigo ver bem, neste momento, pois a emoção tomou conta de mim, e a lágrima contida a custo, já começou a deslizar na minha face.
Tudo de bom para ti, Luís, para a tua Mãe principalmente e é bonito não te teres esquecido da Mãe do teu filho.
Abraço imenso que vos envolva a todos.

Maria said...

Luís

Não tenho palavras para te comentar, aqui.
Sei o que é o amor incondicional. Por isso mesmo.
Parabéns à tua mãe. Parabéns pelo filho que és.

Abraço-te, numa lágrima

Special K said...

Olá amigo Luís, que dedicatória lindíssima. Uma mãe muito especial sem dúvida.
Um abraço

Maria P. said...

A Mãe

A mãe
É uma árvore
E eu uma flor.

A Mãe
Faz coisas mágicas:
Transforma farinha e ovos
Em bolos.
Linhas em camisolas,
Trabalho em dinheiro.

A Mãe
Conhece o bem e o mal.
Diz que é bem partir pinhões
E partir copos é mal.
Eu acho tudo igual.

A Mãe
Podia ser só minha.
Mas tenho de a emprestar
A tanta gente...

A Mãe
À noite descasca batatas.
Eu desenho caras nelas
E a cara mais linda
É a da minha Mãe.

Luísa Ducla Soares.

Luís, recebi este presente embrulhado em carinhos no dia que fiz anos, foi o melhor presente que me podiam dar.
Quis partilhar.

Parabéns à tua Mãe!
Beijinho ao filho*

Anonymous said...

Belas palavras, transbordantes de amor e ternura, ilustradas pelo meu pintor favorito. A sensibilidade fica-te bem. É uma das razões porque gosto tanto de ti!

A

Entre linhas... said...

A mãe é a força,é o amor incondicional e mais forte que tudo.
Senti o teu texto de forma muito intensa.
Bjs Zita

avelaneiraflorida said...

Caro Luís,

Como entendo estas palbvaras que brotam por todos os poros e se espalham, contagiam e parecem abençoar quem as lê!!!!

UM DIA DE TODOS OS OUTROS DIAS!!!!
UMA MÂE ÚNICA! UM FILHO QUE Sabe sentir o maior amor de todos!!!!
Parabéns a AMBOS!!!!
TODA A TERNURA PARA ESSA MÂE TÃO ESPECIAL!!!!

Kalinka said...

OLÁ LUÍS
GOSTEI DE VER RETRATADO AQUI O AMOR DE MÃE, que qualquer filho(a) sente...

É isso: que o dia 8 de Novembro seja decretado o «dia da sua Mãe».
A «minha» já não está entre os vivos, infelizmente, há muito tempo, perdi-a quando eu tinha 20 anos.

Votos que passe o dia 8 de Novembro o melhor possível na companhia de sua Mãe.

BEIJITOS.

Hoje tirei umas horitas para fazer uma visita, pois ando atrasadissima com as visitas aos blogues dos Amigos.

rui said...

Parabéns

santiago said...

Há tanto tempo a minha partiu. Mas há alturas em que, por uma fracção de segundo, não me lembro e penso - vou telefonar. Mas logo a realidade...

Joshua said...

Tua mãe! Nossas mães! Esteios e Pontes para a mais infinita Gratidão. Amen.

joshua

Anonymous said...

Querido amigo
Há quem considere que as imagens falam por si. A imagem que elegeste é lindissima e para quem teve a felicidade de ser mãe,como eu, reflecte o que sentimos em relação aos nossos filhos, mas que não encontramos palavras capazes de descrever por ser algo tão especial e único.

gemeos

Admiro a sensibilidade com que consegues expressar os teus sentimentos relativamente à tua mãe, o amor incondicional que tens em relação a essa pessoa tão especial, que foi e continua a ser um dos pilares mais importantes da tua vida.

Parabéns!

Outonodesconhecido said...

Feliz dia da mãe do Luís...

Outonodesconhecido said...

Feliz dia da mãe (do luís)

Anonymous said...

Um beijinho muito grande para si e para a sua mãe.

Sei o que é ter uma mãe assim, também a minha foi tudo isso, toda ela era amor, tantas dificuldades para criar 5 filhotes, tantas lágrimas escondidas, mas tanto amor ela teve para dar.

Já lá vão 33 anos, que saudades eu sinto dela, do seu colo, dos beijos, das suas palavras mesmo quando se zangava.

Não vou dizer mais nada, as lágrimas já estão a chegar.

Enfim, gostei tanto, tanto, que imprimi todos os seus trabalhos.

Que Deus lhe conserve a mãe que tem e a ela o bom filho que é.

Um grande beijo

Rosário

Anonymous said...

Querido Luís,

Acabei agora de ler o teu post dedicado à tua J. R.
Infelizmente não li de uma vez, como gostava, mas por partes, como foi possível. Mas li tudo, e reli algumas coisas.
Emocionei-me em algumas partes, como era inevitável, e fiquei a achar que para além de maravilhosa a tua mãe deve ser muito feliz por ter um filho como tu.
Que grande, sentida e emocionante homenagem.
Parabéns meus também para ela e para ti que tiveste a sorte de a ter como mãe.
Paula Zegre

Maria Faia said...

Estimado amigo Luis,

Embargaram-se-me as palavras na garganta, lendo esta lindíssima homenagem a sua Mãe. Não a conheço porque nunca a vi, mas conheço-a por igual Mãe ter afagado minhas faces, suavizado minhas dores, rido com minhas alegrias, dançado com minhas festas...
Altas horas da madrugada, em que eu, qual ave nocturna escondida, ficava quietinha lendo pela noite fora, lá vinha ela, pé ante pé, aconchegar a sua filhinha quando, como para quem as noites só são de sono, soltava o seu lamento de Mãe" filha, já são 4h da madrugada!". E, era ela com todo o seu carinho que desligava o interruptor do candeeiro, me aconchegava a roupa quentinha e, com um doce beijo que ainda sinto, gemia suamente uma "boa noite".
Amigo, esta doçura de Mãe já só vive em meu coração mas, quantas noites nela me revejo quando, pé ante pé, lá vou aconchegar as mantinhas de um filho que também tenho.

Um abraço amigo,
Maria Faia

pin gente said...

as lágrimas vieram-me aos olhos!
como eu gostava daqui a uns anos ler um texto assim sobre mim...
escrito por um dos meus 3 filhos.
mudavam a cor dos olhos, do cabelo, a altura, a cidade de évora... e deixavam o resto.
sorte a minha que posso assinar por baixo e dizer que, a minha mãe, a mãe da minha mãe... são mulheres como a tua mãe.
parabéns para ela e para ti claro, pelo magnífico texto que lhe dedicaste.

um abraço
luísa

Anonymous said...

A emoção foi a constante na leitura desta tua apologia, feita moção.
As lágrimas envoltas na leitura, embrulhadas em cada uma das palavras que escreveste, toldaram-me em momentos vários os olhos… só mesmo o coração ficou desperto, atento e lúcido.
Repara que escrevi “lúcido” enquanto me referia ao coração… talvez por saber, daquele saber de experiência feito, e olhando para o meu, que momentos existem em que este idealismo romântico me dá espaço de manobra, nas coisas do sentir, para ter acessos, rasgos de lucidez.
És um ramo de uma árvore frondosa e vivaz, forte, mas serena e vibrante, que é a tua mãe….
Aqui me fico em dúvida, enleada num sinalagma sem sentido, pois que sei de antemão que ambas as partes são ganhadoras…
Vi o brilho ofuscante das tuas palavras, a incandescência da tua alma, e pressinto a tua inquietude em tudo aquilo que li, porque sei que tu sabes que Eugénio de Andrade escreveu que as palavras “estão gastas”, e sei também que para ti não existem no Mundo palavras bastantes, justas e acertadas para falares da tua mãe, sobre a tua mãe, para a tua mãe.
Mas sabes Luís, nada do que escreveste me surpreendeu!
Conheço-te! Se te conheço… e és, de facto, e quero dizê-lo para quem não sabe, um ser de excepção, sem predicados e adjectivação bastantes para o definir.
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia, Senhoras e Senhores Deputados, secundo a moção apresentada e louvo o dia 8 de Novembro, pedindo-vos, por ser da mais elementar justiça, daquela quase divina, porque tem por base a lei mais perfeita, mas irrectificável e irrevogável que jamais a actividade legislativa pode igualar e que é a do amor puro e incondicional que a mãe do Luís põe no caminho que pisa todos os dias, que este dia seja para sempre assinalado, dando-lhe o relevo que por direito merece.

Mãe do meu amigo Luís, envio-lhe 2 beijos vírgula 5…carregados de muito amor e polvilhados com a minha gratidão por ter oferecido ao mundo este seu filho, porque, pelo menos a minha vida, seria muito diferente se não tivesse tido a bênção de o conhecer e ter a sua amizade, também ela incondicional, como o seu amor por ele.
A sempre, sempre vossa
Maria José Bravo

Shelyak said...

Que "engraçado"...e eu que fiz ontem um post dedicado à Mulher...
Parabéns... pela tua mãe...
Abraço para ti!

IO said...

Belíssimo!, PARABÉNS ao filho escritor de emoções e à Mãe que as provocou, IO.

Luís said...

Não existe melhor palavra para definir o vocábulo "Mãe": incondicional.

Gostei, como sempre, caro Luís

elsa said...

Luís abraça, beija, acarinha a tua mãe sempre que possas, infelizmente eu já não posso fazer isso.
um beijo

Fernando Pinto said...

Luís, as mães merecem tudo de bom que lhe possamos dar... a começar por um sorriso!

Abraço e bom fim-de-semana para ti e para os teus.

P. S. A tua mãe deve sentir muito orgulho em ter um filho como tu: culto e sensível.

kiduchinha said...

LINDO! LINDO! LINDO! QUE BONITA HOMENAGEM! Só revela, mais uma vez, o homem de grande sensibilidade que tu és!!! beijos grandes e parabéns à tua mãe (apesar do atraso)!

teresamaremar said...

Apenas para dizer que li. Tão belo é, que se torna impossível comentar.

maristela said...

Luis, um beijo grande nesta matriarca poderosa que tem um filho que toda mãe adoraria ter.
Outro beijo no seu coração.

a.filoxera said...

Estou a descobrir este blog. E a gostar.

Maruska said...

Oh! Luis....CARAÇAS...mais uma vez me fizeste chorar. E agora que conheço a tua mãe, acredito nesse amor sem fim!
E sabes o que sinto???? Inveja.
Se bem que eu sabia do amor da minha mãe por mim e ela do meu....foi sempre difícil mostrar-mo. É do beijo que me ia dar à cama antes de se deitar o que mais falta me faz!!!
Adoro o que escreves com o coração.
Uma felicidade infinita para os dois do fundo do coração...desejo isso!!!!

Teresa Santos Costa said...

Querido Luís. Só hoje li este texto maravilhoso dedicado à sua Mãe. Estou certa que Ela terá sempre o maior orgulho, esteja onde estiver, no seu Luís. O melhor testemunho que posso aqui deixar é que eu ficaria muito feliz se um filho meu me dedicasse um texto assim. Abraços

Paulo Vasco Pereira said...

Maravilhoso, Luís!
Um abraço a Ti e em Ti.

Helena Barroso said...

Luís, meu querido amigo.

Creio que este louvor imenso a sua querida mãe, foi feito ainda antes dela ter falecido.

Creio que hoje o escreveria na mesma, este louvor tão poético, carregada de amor por essa mãe ruivinha e de olhos azuis.

Li, escutei com a alma, imaginando que o Luís era meu filho. Creio que tenho a mesma idade que sua mãe, teria...

A nossa amizade é tão bonita, ainda sem nos conhecermos muito.

E gostaria de me abrigar nas suas palavras como se fosse eu a sua mãe...

Tenho filhos da sua idade, mas não sei o que eles sentem por mim...

Fomos ( eu e sua mãe) da época em que era previsto viver para os filhos, casa e marido, clima de ditadura, também social, em conjugação Estado e Igreja.

Fui tomada por essa filosofia, mas assim que saí de casa dos meus pais para casar, a partir de certa altura, foram meus próprios filhos, sem o saber, que me fizeram pensar que ser mulher e mãe era mais que um mito tradicional...

A doçura e lucidez de suas palavras foram mel no meu coração.

Esse modo tão belo nessa sua homenagem á mãe, também me entristece e doe, pois não sei se meus filhos o diriam, mesmo que de outra maneira...

Como o poeta M. Torga disse "dei o que a argila deu..." e realmente não morri como mulher e mãe...
Amei e amo meus filhos, muito. Mas também, estrilho tanto com eles!

Há vários andamentos progressivos, na maturidade de um filho, que implicam, o não ter medo de amar, ( ou o de expressar o amor, ou de ter a consciência dele), o questionamento de si próprios, a aprendizagem que o amor pela Ciência oferece, também a sabedoria da vida. Todas são complementares.

Obrigada querido Luís, meu filhinho imaginado.