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Wednesday, November 15, 2006

diálogo de vanguardas

A maior exposição em torno de Amadeo de Souza-Cardoso - com cerca de 260 obras do pintor português e de 38 artistas internacionais seus contemporâneos, entre os quais Modigliani e Picasso encontra-se patente na Fundação Gulbenkian.
Grande parte das obras dos artistas estrangeiros, exibidas agora em Portugal pela primeira vez, foram cedidas por alguns dos mais afamados museus, desde o British Museum ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Dos portugueses, haverá dois outros artistas representados: Eduardo Viana e Almada Negreiros.
Amadeo é o eixo da exposição, mas em articulação com o que se fazia na altura. O objectivo é estabelecer um dialogo entre a sua obra e a de artistas, dentro e fora do seu círculo de amizades, em cujas obras se revelem os sinais e as cumplicidades experimentais do tempo.
Precursor da arte moderna, morto prematuramente aos 31 anos de idade, Amadeo de Souza-Cardozo não teve oportunidade de ver seu trabalho reconhecido: seguiu a mesma trilha dos vanguardistas de todos os tempos, gerindo a incompreensão alheia. A humanidade custa a aceitar novos processos ou ideias diferenciadas e assim, para os precursores, a apreciação objectiva e o coroamento de seus esforços acontece, ou no final da vida, ou somente após sua morte.
As suas primeiras experiências deram-se no desenho, especialmente como caricaturista. Aos 19 anos, mudou-se para Paris, tomando contacto com o Impressionismo e depois com o Expressionismo e o Cubismo.
Valeu-lhe muito sua aproximação com Modigliani, de quem se tornou um grande amigo, compartilhando com ele um atelier e até realizando exposições juntos.
Preso ainda ao traço publicou um álbum com 20 desenhos e em seguida, com paciência de beneditino copiou o conto de Flaubert La légende de Saint Julien l’Hospitalier, trabalhos ignorados pelo apreciadores de arte. Este último trabalho, depois de ficar por muitos anos nas mãos do editor, acabou sendo adquirido pela própria viúva do pintor, para evitar que fosse destruído.
Depois de participar de uma exposição nos Estados Unidos voltou a Portugal, onde teve a ousadia de realizar duas exposições, respectivamente em Porto e em Lisboa, causando escândalo: as suas obras foram criticadas, ridicularizadas e, em momentos, houve até confronto físico entre críticos e defensores da arte moderna.
Com o fim da Primeira Guerra Mundial surgiria a grande oportunidade de ver reconhecida a sua obra, mas o pintor não teve tempo para esperar. Morreu nesse mesmo ano e muito tempo se passou até que o seu nome ocupasse o devido lugar na história da pintura portuguesa. Amadeu era um visionário, vivia fora de seu tempo, tal como outros tantos, pagou um alto preço por isso.
A ver na Fundação…