
Da Ferida
Regresso, depois da litania,
à contemplação sem voz.
A memória da música é
amarga, quando estou só.
Os quartetos de Beethoven
arrancam-me uma parte
do corpo em substância.
Ferida, terei de ir ainda
à cidade dia a dia.
Regresso, depois da litania,
à contemplação sem voz.
A memória da música é
amarga, quando estou só.
Os quartetos de Beethoven
arrancam-me uma parte
do corpo em substância.
Ferida, terei de ir ainda
à cidade dia a dia.
Fiama Hasse Pais Brandão poetisa, dramaturga, ficcionista, ensaísta e tradutora ficará para a história da literatura como uma autora multifacetada. A profunda sensibilidade da obra que deixou enriquece o património literário e testemunha a vitalidade da cultura portuguesa. Eduardo Lourenço considera Fiama “uma espécie de concha de silêncios, onde se reflectiam todas as dores e alegrias do mundo”. É “mais célebre do que verdadeiramente conhecida”, disse à imprensa. “Mas vamos ter agora tempo para a ler, como é costume em Portugal, onde só acordamos com os mortos nos braços”, acrescentou. Partiu ontem à noite...
