Não sou um especialista da obra de Murray Perahia, pianista e maestro possuidor de um currículo difícil de desafiar e que faz parte de uma elite artística consagrada. Aliás não me julgo perito do trabalho de quem quer que seja. Mas ultimamente tenho sido um ouvinte cúmplice e fascinado com a destreza do prestidigitador músico nova-iorquino, que consegue transformar o lenço que oferece ao ouvinte para estancar a emoção numa pomba em voo livre tirada da manga metafórica dos seus truques musicais. E como com todos os ilusionistas, nunca me pareceu sensato procurar autopsiar os enredos da arte mágica, bastando-me observar (e escutar), com cúmplice fascínio, que de magia se tratava. Assim, tenho-me simplesmente abandonado ao som sedutor das partitas 2, 3 e 4 de Bach e a vida toda ela parece deslizar de forma mais serena...
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Wednesday, September 17, 2008
a magia de Perahia...
Não sou um especialista da obra de Murray Perahia, pianista e maestro possuidor de um currículo difícil de desafiar e que faz parte de uma elite artística consagrada. Aliás não me julgo perito do trabalho de quem quer que seja. Mas ultimamente tenho sido um ouvinte cúmplice e fascinado com a destreza do prestidigitador músico nova-iorquino, que consegue transformar o lenço que oferece ao ouvinte para estancar a emoção numa pomba em voo livre tirada da manga metafórica dos seus truques musicais. E como com todos os ilusionistas, nunca me pareceu sensato procurar autopsiar os enredos da arte mágica, bastando-me observar (e escutar), com cúmplice fascínio, que de magia se tratava. Assim, tenho-me simplesmente abandonado ao som sedutor das partitas 2, 3 e 4 de Bach e a vida toda ela parece deslizar de forma mais serena...Saturday, June 28, 2008
Jessye a sós com a vida…
(foto retirada da net)Ontem à noite, depois de chegar do Palácio da Fronteira, onde os Amigos da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e Fernando Mascarenhas convidam para uma mostra de colares, tive a felicidade de apreciar uma outra espécie de jóia: o documentário sobre uma das maiores divas de sempre, a norte-americana Jessye Norman. Um olhar profundo acerca da sua vida pessoal e profissional. Realizado por André Heller, o “retrato” intercala depoimentos do soprano acerca da sua infância, receios, maestros e orquestras, politica, a arte de cantar. Jessye Norman possui um repertório operático dos mais raros e fascinantes, que inclui as obras de Berlioz, Meyerbeer, Stravinsky, Poulenc, Schoenberg, Janácek, Bartók, Rameau, Wagner e Richard Strauss. Trata-se de um registo extraordinário, no qual, para além de se ouvir uma intérprete portentosa cantar excertos tão diversos como o perturbador lamento de Dido do Dido and Aeneas de Purcell, o Beim Schlafengehen de Strauss, o Liebestod do Tristan und Isolde de Wagner ou mesmo La Marseillaise por ocasião da comemoração dos 200 anos da queda da Bastilha, entre grandes êxitos do seu repertório e tudo isto com fantásticos cenários em pano de fundo – o deslumbrante jardim de Yves Sain Laurent em Marrakech proporciona o luxuriante cenário tropical – pode-se ter a ideia da mulher por trás do mito. É curioso ouvir esta negra com aquele sulco na face esquerda, que parece o atalho abandonado por uma lágrima e com uma longa carreira a confessar que sente mais receio que nunca ao viajar pelo mundo dado o estado actual da política mundial. Que tem medo de ser pessoalmente responsabilizada pelas acções do seu governo pelo simples facto de ter nascido nos Estados Unidos. Que não consegue conceber como é que o Governo eleito de uma nação soberana pode dar mais importância ao que dois adultos fazem com consentimento mútuo dentro das paredes do seu quarto do que à destruição e morte de outras nações. Que gostava de entender o pensamento por trás do racismo. Conversa fascinante em sede de atmosfera íntima. Excelente...
A ouvir com deleite aqui!!!
A ouvir com deleite aqui!!!
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