Fernando Lopes, cineasta da geração de realizadores que desponta para o cinema através do movimento cineclubista, para muitos o maior cineasta de Lisboa de todos os tempos, adquire os primeiros saberes cinematográficos graças à televisão – ingressou na RTP no ano de inauguração, 1957, de cujo canal 2 viria ser fundador. Diploma-se pela London Film School e após o regresso a Portugal, assina Belarmino (1964), filme documentário sobre a vida do boxeur Belarmino Fragoso, considerado uma obra-chave do movimento do novo cinema português. Em 1965 faz um estágio em Hollywood e ao voltar filma Uma Abelha na Chuva (1971), adaptando o romance de Carlos de Oliveira que seria protagonizado pela actriz Laura Soveral. Realizou ainda Nós Por Cá Todos Bem (1976), Crónica dos Bons Malandros (1983), Matar Saudades (1988), O Fio do Horizonte (1993), baseado no livro de António Tabucchi, e O Delfim (2002), adaptado do livro homónimo de Cardoso Pires. Lá Fora (2004) e 98 Octanas (2006) são os seus mais recentes filmes.Este resumo a propósito da interessante autobiografia oferecida pelo realizador ao último JL. Aqui deixo excerto que me desconcertou pela beleza e franqueza das palavras:
Bebi demais (não me arrependo)
Fumo demais (não me arrependo)
Comovo-me demais (não me arrependo)
Sou um erro sociológico
Estou onde não devia estar,
Sou aquilo que não estava previsto que eu fosse.
Desígnios de Deus?
Essa questão está para mim (quase) resolvida.
Como disse Queneau: “Deus, por pudor, não existe”.
Ou, se existe, Deus é cego, surdo e mudo. Vai
dar ao mesmo.
Aviso: o abaixo assinado têm código de barras.
Numa leitura electrónica está lá tudo: paixões,
amores, desamores, amizades.
Falta o preço e o prazo de validade.
Sou, portanto, um replicant perigoso!
Ou como diria o Alexandre (O’Neill), um long runner.
“O homem que pedala, que ped’alma
com o passado a tiracolo,
ao ar vivaz abre as narinas:
tem o porvir na pedaleira.”.
Bebi demais (não me arrependo)
Fumo demais (não me arrependo)
Comovo-me demais (não me arrependo)
Sou um erro sociológico
Estou onde não devia estar,
Sou aquilo que não estava previsto que eu fosse.
Desígnios de Deus?
Essa questão está para mim (quase) resolvida.
Como disse Queneau: “Deus, por pudor, não existe”.
Ou, se existe, Deus é cego, surdo e mudo. Vai
dar ao mesmo.
Aviso: o abaixo assinado têm código de barras.
Numa leitura electrónica está lá tudo: paixões,
amores, desamores, amizades.
Falta o preço e o prazo de validade.
Sou, portanto, um replicant perigoso!
Ou como diria o Alexandre (O’Neill), um long runner.
“O homem que pedala, que ped’alma
com o passado a tiracolo,
ao ar vivaz abre as narinas:
tem o porvir na pedaleira.”.
