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Thursday, June 05, 2008

onde os opostos nos seduzem…

Drawing a Tension. A hora de almoço desafiava a um respirar por uma das mais vastas colecções de arte. Com a exposição na Gulbenkian tive a possibilidade de rever uma das mais surpreendentes colecções privadas. No final da década de setenta uma das maiores instituições financeiras do mundo, o Deutsche Bank, desenvolveu um conceito precursor em torno da “arte no local de trabalho”, colocando os colaboradores e os clientes em intimo contacto com manifestações artísticas. Drawing a Tension vagueia através de cinco núcleos, arquitectados por cumplicidades filosóficas e estéticas em comunicação e, simultaneamente, em tensão entre si. São apresentadas cerca de 120 peças - escolhidas a partir das mais de 50 mil obras - de entre outros, Hans Arp, Joseph Beuys, Marcel Broodthaers, Max Ernst, Martin Kippenberger, Blinky Palermo, Sigmar Polke, senhores que são uma prelecção sobre arte moderna e contemporânea a não desprezar.

Despertar interesse ou curiosidade é a divisa de Drawing a Tension, um itinerário artístico onde os contrários se atraem…

Sunday, September 16, 2007

fantasmas de Goya...

Espanha, 1792. Francisco de Goya, conceituado pintor, conhecido tanto pelos seus quadros coloridos da corte como pela implacável representação da brutalidade da guerra e da vida espanhola, assiste à prisão da sua musa, Inês, acusada, injustamente, de heresia pela Inquisição espanhola. Para salvá-la, Goya vê-se envolto numa série de acontecimentos que põem em risco a sua sanidade mental.
Sinopse

Estamos perante um filme centrado nos anos que abalaram o mundo ocidental. Uma trágica história passada numa Espanha retrógrada, que embora já na agonia do antigo regime, ainda consegue reavivar a Inquisição, entre os destroços do Império e as ameaças da Revolução Francesa, numa época em que o intolerância religiosa entra em colisão com o ateísmo, o despotismo com a democracia e o desejo com a morte. Durante o reinado de Carlos IV, a Espanha é ainda um vasto império e a Inquisição, embora enfraquecida, trata de abafar as ideias que chegam da Europa iluminada e, sobretudo, da França Revolucionária. Mas os reis franceses vão ser guilhotinados e os monarcas espanhóis põem-se em fuga. O plebiscitado Napoleão estende o seu império e entrega a coroa ao seu irmão, altura em que a insatisfação do povo contra os franceses invasores assume contornos irreversíveis. E depois de tudo isto, nova obstinação da história: os ingleses chefiados por Wellington restauram a monarquia opressiva e a própria inquisição. É neste período conturbado, em que “perseguidores se tornam perseguidos, e presas se tornam lobos”, que Goya criou as suas obras mais notáveis. Mas é, também, neste mundo obtuso que Goya se torna pintor da corte.

Entre os clientes de Goya encontram-se Lorenzo Casamares, influente dominicano do Santo Ofício, e Inês de Bilbatua, a sua musa, filha de um comerciante basco amigo. Quando Inês é acusada de heresia e julgada, Goya tenta salvar-lhe a vida apelando a Lorenzo, que, sedento de poder, lidera o ressurgimento da Inquisição. Mas Inês é detida, torturada e abandonada à sua sorte, acusada sem saber de quê. Não é uma bruxa, não cometeu qualquer injúria, ainda assim é acusada. Assim acontecia na Espanha do século XVIII. Acusações como “a ilustre senhora não comeu porco, logo pertence à herege classe dos judeus” eram o prato do dia e pareciam fazer todo o sentido para os responsáveis eclesiásticos.

Milos Forman dá vida ao universo pictórico de Goya com personagens marcadas pela luz e sombra, que começa a esboçar-se logo nas primeiras cenas, quando os padres da inquisição se interrogam perante as gravuras de Goya: “É então assim que somos vistos em todo o mundo?”. Atente-se ao temor quase reverencial com que o inquisidor e a rainha se aproximam pela primeira vez dos seus retratos; eles vão descobrir como é que são na realidade, ou seja, como são vistos pelos outros. A família real espanhola, num célebre quadro de Goya, e os olhares inquisidores dos detentores do poder político e militar representa uma imagem que sintetiza bem o que está em questão: a relação sempre difícil entre a criação artística e os que, directa ou simbolicamente, fiscalizam as condições dessa mesma criação e a sua circulação pública. Daí que o filme seja menos sobre Goya e mais sobre uma teia de figuras dilaceradas pelos valores da época. O pintor é um instrumento e é curioso ver um general Napoleónico dizer aos seus homens que os espanhóis os vão receber de braços abertos quando, pela invasão, os libertarem do abominado rei. Exactamente o que foi dito aos soldados americanos que invadiram o Iraque. No todo, esta obra até pode ser considerada desequilibrada, mas não deixa de constituir um retrato interessante da arte e do pensamento de Goya, com acesso a uma viagem que põe visível um país indeciso e hipócrita que se vendia ao que se lhe oferecia como lucrativo.

Ver trailer aqui.

Saturday, August 11, 2007

em berlim...

(Berlin Street Scene, 1930, Georg Grosz)

Seja como for, Berlim dispõe de três óperas a funcionar em permanência! É quanto basta para aferir da exigência cultural de um povo.
Marcello Duarte Mathias, Berlim, 20 de Junho de 2003 (diário)

Cidade cento e cinquenta vezes bombardeada, reconstruída, cidade estaleiro, cidade-Sísifo, destruída e arruinada, recomeçada e reconstruída, arrasada e reposta, colecção de sonhos sonhados, desfeitos e refeitos. Tudo nela caiu: caiu o nazismo à mão dos russos, a Guerra Fria com o Muro, caiu a Prússia, caiu Kleist tombado no Wahnsee, caiu Brecht às mãos dos aparatchichs (cf. Jorge Silva Melo, in Século Passado, 2007). Uma cidade mil vezes interrompida, violentamente embargada. Como é possível que muitos dos melhores tesouros arquitectónicos tenham sido destruídos pelos bombardeamentos da II Guerra Mundial e que a cidade se tenha reedificado tão rapidamente? A cidade mais povoada do país e a segunda mais populosa da União Europeia, depois de Londres. Um dos mais influentes centros de política, cultura e ciência europeia. É "casa" para algumas das mais importantes universidades, orquestras e museus. O rápido desenvolvimento da metrópole atraiu uma reputação internacional aos seus festivais, arquitectura contemporânea – cidade conhecida pela sua excitante modernidade e estonteante arquitectura – e vida nocturna, sendo um grande centro turístico e residência para pessoas de 180 nações diferentes. Berlim reinventa-se. Poucas cidades no mundo sofreram tantas transformações históricas. Sempre em processo de mudança e, segundo o historiador Karl Scheffler, esta é uma das razões que a tornam a capital mais vibrante e estimulante da Europa.

Foi a Berlim que chegámos já à noitinha, sem malas; estas supostamente pairavam algures em Frankfurt. O meu bioritmo acusava sinais de impaciência por me sentir na cidade, à noite, e só com a roupa que tinha no corpo. Já me estava a ver endividado no KaDeWe, ali bem perto. Enganei-me, uma hora depois a recepção do hotel avisava que os nossos pertences tinham chegado. Óptimo, a vida sorria novamente.

Se Berlim já era uma cidade pela qual manifestava curiosidade, embora durante anos a tenha preterido a outras, elejo-a agora seguramente como uma das mais interessantes capitais europeias. O primeiro contacto sobretudo com o lado oriental pode parecer ambíguo: a dúvida fica entre a beleza das estruturas antigas e a tecnologia utilizada na construção da parte nova. Boa parte da cidade está coberta por redes de protecção, e alguns, poucos, museus estão temporariamente com as portas fechadas, mas nada disso diminui a beleza do local. São 180 museus, cerca de 500 igrejas, mais de 5.000 bares (com cerca de 6.800 marcas de cerveja alemãs), 135 teatros e três Óperas, além dos parques, monumentos e galerias espalhados pela cidade.

Com esta perspectiva mergulhámos em alguns sítios da cidade. Dias amenos em Berlim, com o sol a deitar-se nas avenidas e as cervejas Berliner Weisse nas esplanadas. O autocarro foi útil para o primeiro reconhecimento da cidade: passa por quase toda a antiga parte oriental e facilita a localização dos museus, galerias de arte, monumentos e teatros locais. Depois disso e in loco, a alma derrete-se com:
Gemäldegalerie, conta com uma grande colecção de pintura europeia dos séculos XIII a XVIII e tem obras de Rembrandt, Botticeli, Goya, Holbein, Raphael, Rubens, El Greco e Velázquez, entre outros; Checkpoint Charlie, onde existia o mais importante ponto de acesso entre as duas Berlim, representa uma aula de história, desde a construção do muro até a sua queda; Unter_den_Linden, um dos locais mais bonitos do centro de Berlim e onde caminhar pela avenida é um deleite. Verdadeiro parque cultural, que inclui edifícios como a Catedral St. Hedwig, a Deutsche Staatsoper, a Universidade Humboldt, o Palais Unter den Linden; Deutsches Historisches Museum, belo edifício barroco onde penetramos na história do país; Museumsinsel, complexo museológico que reúne quatro importantes museus, o Altes Museum, a Nationalgalerie, o Bodemuseum e o Pergamon Museum, cujo nome foi concebido em homenagem ao Altar de Pergamon (monumental templo grego de 180 anos antes de Cristo e presente no museu) é a verdadeira jóia da coroa daquela ilha de museus.
Pergamon - Antinoos

Valem também os passeios pela praça Gendarmenmarkt, onde está o Schauspielhaus (principal sala de concertos da cidade) e a catedral francesa, na qual há um museu que conta a história dos refugiados protestantes, o Huguenot Museum. A Catedral de Berlim, a Dom, é de visita obrigatória; diz a L. pois a cúpula da igreja permite uma visão completa da cidade, além de se conhecer um pequeno museu de história, que conta todas as fases de restauração da catedral, erguida entre 1894 e 1905. Frisou a L. porque eu e o J. ficámos relaxadamente sentados nas escadarias à porta da catedral.

Do antigo lado ocidental de Berlim, registe-se a avenida Kurfürstendamm, ou simplesmente Ku’damm, como é conhecida – tem aproximadamente quatro quilómetros de extensão e ainda abriga muitas lojas famosas, restaurantes interessantes, uma infinidade de bares e cafés, cinemas, teatros e a Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche, igreja que até hoje conserva as marcas dos bombardeios sofridos durante a Segunda Guerra Mundial, inclusive com a sua torre e o seu sino, único património ainda em pé. Nessa região, há ainda o Zoologister Garten, o mais proeminente sitio para o J., que segundo a sua eclética opinião só rivaliza com o busto da Nefertiti e o Legoland Discovery Centre (enquanto J. e L. visitavam o Zoo, eu passeava pelas ruas da cidade tendo a oportunidade de conhecer a artista plástica nova yorquina Phoebe Washburn, no Deutsche Guggenheim, espaço que fazia parte do meu termo de intenções). Há uma infinidade de coisas a registar também na antiga região de Berlim Ocidental, como, por exemplo, o Grosser Stern, cruzamento de cinco ruas importantes que, quando olhado de cima, tem o formato de uma estrela.

Potsdammer Platz, 1914, Ludwig Kirchner

Entre ocidente e oriente, termos que agora só fazem sentido histórico (e patrimonial) espreitámos e visitámos ainda Schloss Charlottenburg, Museum Berggruen (um palacete frente ao Palácio de Charlottenburg, integrando cerca de uma centena de obras de Picasso de todas as fases, além de mais de 20 obras de Matisse e um assinalável número de peças de Paul Klee, Cézanne, Van Gogh, Alberto Giacometti e Georges Braque), Brandenburger Tour, o Neue Nationalgalerie (um surpreendente edifício minimalista, albergando artistas como Edvard Munch, Ferdinand Hodler e Óscar Kokoschka, Paul Klee, Kandinsky, para não falar de Dali, Magritte, Max Ernst…). Para sentir a vibrante energia da nova Berlim, nada melhor do que nos perdermos na Potsdamer Platz. Aqui e entre outras atracções descobri a famosa Marlene, a Dietrich, no Filmmuseum Berlin. Um dos tesouros do museu é a colecção dos objectos pessoais da diva berlinense e não foi sem emoção que depois de umas bebidas nocturnas no Oscar Wilde Pub e no Van Gog Pub, nos demos conta que estávamos frente ao Berliner Ensemble, teatro que tem sido testemunha de muitas mudanças importantes da vida cultural de Berlim (já dirigido por Bertolt Brecht).

Já quase de partida ainda entrámos no Automobil forum, onde litografias e cartazes de exposições de Chagall, Picasso e Dali esperavam por nós…

Uma cidade assim é uma projecção de felicidade (não obstante o passado), que só um país que toma consciência da harmonia da arquitectura e do valor substantivo da beleza pode prezar e acarinhar. Seguramente uma das mais belas cidades europeias. Evidente falta de tempo para ver muito mais. Decididamente adorei Berlim!

P.S Chegados à cidade das sete colinas, voltada a sul e com um rio azul, já noite carregada, uma das duas malas não aparece no tapete rolante. Os balcões dos "Perdidos e Achados" na zona de chegadas do aeroporto de Lisboa, estavam invadidos por dezenas de passageiros visivelmente irritados com o desaparecimento das bagagens. E a novela recomeçou….

Monday, March 05, 2007

frágil existência humana...


Vanitas, 51, Avenue d’Iéna é o título do conto de Almeida Faria e Vanitas o do tríptico de Paula Rego que a ele se refere. É já noite dentro que, no espaço quase vazio duma grande mansão, o Sr. Gulbenkian conversa com um(a) artista, hóspede único e arrancado ao sono, sobre o seu amor à arte e aos museus e sobre os seus caprichos e escolhas de coleccionador. “Terão os astros enviado o reconstrutor desta casa só para me forçar a meditar sobre a Vanitas inerente a toda a arte?” – interroga-se, no final, o narrador personagem. Ei-la então: uma Vanitas que cumpre a sua função de nos lembrar que a todos, inebriados, festivos, lúdicos, teatrais, violentos, patéticos seres humanos, nos espera um encontro irremediável com a morte. A matriz onírica do encontro que se dá no texto de Almeida Faria ou na representação de Paula Rego é talvez apenas uma forma de eufemismo na encenação da crueldade desta evidência.
A propósito do conto escreveu Eduardo Lourenço:
“Desde o título ao formato – sem falar do sonho gulbenkiânico digno do quadro onírico onde se desenrola com um luxo de referências icónicas que me deixaram boquiaberto – tudo me parece réussi. Foi a primeira impressão que recebi lendo-o como outrora lia o venerável Poe e que confirmei com segunda leitura. Excelente e excitante texto, com suplementar ironia e delícia para quem já acordou naquela mansão à espera de quem lhe descrevesse o insólito óbvio, sem ter os seus dons para no-lo restituir. A Fundação deve-lhe, só por isso, uma fière chandelle. E os seus leitores um texto ao mesmo tempo extravagante e clássico. É um «conto» imerso apenas no prazer da própria construção, arrastado pela curiosidade sempre um pouco perversa pelos abjectos não menos perversos que nós chamamos «arte». E que integra as suas réveries ou as suas preferências – às vezes provocações – em tão diabólica realidade, com uma exaltação fria que me encantou. Creio que Vanitas é o texto em que a sua ironia e ambíguo fascínio diante da ficção como o nada de tudo – a não ser que seja ao contrário – encontrou o tom mais justo. E eficaz.”. Muito interessante esta reedição por ocasião dos 50 anos da Gulbenkian. Ouro sobre azul este casamento entre o tríptico Vanitas, uma das últimas obras de grandes dimensões da pintora Paula Rego e o conto de Almeida Faria, Vanitas, 51 Avenue d"Iena. Curioso pensar na precariedade da nossa frágil existência humana (pensamos, mas esquecemos no instante seguinte).

Thursday, November 16, 2006

ecce homo nas janelas verdes...

De origem flamenga e tendo professado em 1517 no antigo Convento do Espinheiro, junto a Évora (a minha cidade), o monge-pintor Frei Carlos foi uma das mais proeminentes figuras da pintura retabular em Portugal, mas caracterizou-se também por uma brilhante produção de pinturas devocionais de pequeno formato. A mostra dá enfoque a esta particular vertente criativa da oficina de Frei Carlos, a das imagens religiosas para contemplação, meditação e oração individual ou privada, pinturinhas portáteis ou de oratório privativo que, nas primeiras décadas do século XVI, estimulavam uma piedade afectiva na contemplação de figuras de Cristo, da Virgem com o Menino ou de S. Jerónimo no deserto.
O ponto de partida do percurso expositivo é uma obra inédita de Frei Carlos recém-adquirida para a colecção do museu das janelas verdes, uma representação do Ecce Homo .
Se outro motivo não existisse visitar este belo museu instalado no Palácio dos Condes de Alvor já seria um belo pretexto…

Tuesday, November 14, 2006

Fra Angelico apareceu...

Duas pinturas do mestre renascentista italiano avaliadas em mais de 1,5 milhões de euros, e dadas como desaparecidas desde há quase dois séculos, foram descobertas em casa de uma reformada britânica.
As duas obras, pintadas em 1430, representam dois santos e faziam parte dos oito painéis do retábulo da igreja de São Marcos em Florença, destroçado durante as campanhas napoleónicas.
Até agora, era conhecido apenas o paradeiro de seis desses painéis, estando envolto em mistério o destino dos dois restantes.
O mistério foi esclarecido em Oxford na casa de Jean Preston, uma reformada falecida em Julho último. Preston comprou os quadros quando trabalhava no museu de Huntington, na Califórnia, como restauradora de manuscritos históricos.
Segundo um amigo da família e a pessoa que identificou as duas obras, a proprietária nunca soube o valor do que tinha em casa.
Os dois painéis vão ser leiloados em Março pela leiloeira britânica Dukes.
Fonte: Diário Digital

quadro de Goya roubado nos EUA

O quadro a óleo «Niños en el carretón» (1778), de Francisco Goya, foi roubado quando era transferido do Museu de Arte de Toledo, em Ohio, para o Guggenheim de Nova Iorque.
A obra do artista espanhol foi emprestada ao Guggenheim para integrar uma exposição especial intitulada «A pintura espanhola desde El Greco a Picasso: a ferida do tempo», que será inaugurada na próxima sexta-feira em Nova Iorque. A mostra pretende reunir cerca de 150 obras de museus e colecções não só dos EUA como também do México, Canadá, Espanha e de outros países europeus.
Segundo os museus, o óleo de Goya tinha um seguro de um milhão de euros, porém, por tratar-se de um quadro muito conhecido, a sua venda é impossível no circuito legal.
A seguradora ofereceu uma recompensa de 50 mil dólares (37.500 euros) a quem fornecer informação sobre o ladrão especializado em obras de arte (já há licenciatura na área e quem sabe doutoramento). Irmãos metralha procuram-se….

GOYA PAINTING STOLEN WHILE EN ROUTE TO EXHIBITION IN NEW YORK CITY

Reward of Up to $50,000 Offered for Information Leading to Recovery of Painting

(NEW YORK, NY- November 13, 2006) A painting by Francisco de Goya y Lucientes from the collection of the Toledo Museum of Art was discovered taken last week while en route from Toledo, Ohio, to the Solomon R. Guggenheim Museum in New York City, where it is scheduled to be included in the exhibition Spanish Painting from El Greco to Picasso: Time, Truth, and History opening at the Guggenheim on November 17, 2006.

At the time of the theft, the painting was traveling through the Scranton, Pennsylvania area and was in the care of a professional art transport provider. The painting, Children with a Cart, 1778, which is currently insured for just over $1 million, would be virtually impossible to sell and therefore has no value on the open market.

The FBI is currently leading the investigation into the theft. There is a reward of up to $50,000 offered by the insurer for information leading to the recovery of the painting. Persons with information regarding the painting should contact the Philadelphia Division of the FBI at (215) 418-4000, or their local FBI office.

To maintain the integrity of the FBI investigation, the museums are unable to provide any additional details at this time.

November 13, 2006
Issued jointly by the Press Departments of the Toledo Museum of Art and the Solomon R. Guggenheim Museum

Friday, November 03, 2006

Graça Morais na Cordoaria Nacional


“Desejo através dos meus quadros ter consciência de quem sou, questionar a minha existência, afirmar a minha identidade construída através de sinais, símbolos, imagens, memórias de uma realidade que me liga ao universo.Com a minha pintura quero construir um espaço diferente e único onde possa defender a minha personalidade nestes tempos de grande massificação. A reflexão que faço do mundo está toda nos quadros que pinto. O quadro é um território íntimo, de magia, onde a linha, a cor, o espaço e a luz aparecem carregadas de profunda espiritualidade”.

Graça Morais





Esta mostra apresenta um conjunto de cerca de 150 trabalhos executados pela artista entre 1982 e 2006. A ver no fim de semana….

Friday, September 01, 2006

grandes mestres da pintura no Museu Nacional de Arte Antiga

Colecção Rau
Grandes Mestres da Pintura Europeia: de Fra Angélico a Bonnard


Exposição de qualidade absolutamente excepcional, que reúne 95 pinturas de mestres fundamentais na história da pintura europeia, desde o início do Renascimento italiano até à década de 1940-50. Quase metade das peças (46) inscrevem-se num arco cronológico que vai do século XV ao XVIII, distribuem-se pelas “escolas” italiana, flamenga, holandesa, alemã, francesa, espanhola e britânica e são criações de mestres como Fra Angelico, Bernardino Luini, António Solario, Guido Renni, Canaletto, Tiepolo, Porbus, Van Goyen, Van Ruysdael, Gerard Dou, Siberechts, Cranach, Philippe de Champaigne, Largillière, Boucher, Latour, Greuze, Fragonard, Robert, Vigée-Le Brun, El Greco, Ribera, Reynolds e Gainsborough. As restantes pinturas (49) são especialmente demonstrativas de autores e movimentos artísticos dos séculos XIX e XX: impressionismo, simbolismo e nabis, fauvismo, expressionismo. Corot, Courbet, Cézanne, Manet, Degas, Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Liebermann, Signac, Lautrec, Redon, Bonnard, Vuillard, Vlaminck, Dufy, Derain, Macke e Morandi são alguns dos artistas neste sector da exposição.
Clicar em Masterpieces from the Rau Collection para mais informações sobre este excelente espólio.

Wednesday, June 28, 2006

sedução, cinema & pintura...

Se muitos cineastas deixaram já seduzir-se pela pintura, o que acontece quando, por sua vez, são os pintores que se deixam seduzir pelo universo cinematográfico? "Sedução, Cinema & Pintura" é a exposição que inaugurou no Sintra Museu de Arte Moderna.

Foi esta a exposição que ontem tive a oportunidade de apreciar naquele belo museu e que me transporta sem querer para qualquer um dos excelentes espaços museológicos europeus de arte moderna e contemporânea. Sensação semelhante acontece-me em Serralves.

"Sedução, Cinema & Pintura" assume-se como uma resposta possível a esta questão, através da projecção de filmes realizados por artistas representados na Colecção Berardo, que também optaram pela experiência do cinema ou do vídeo, como, como Andy Warhol, Julian Schnabel, David Salle, Cindy Sherman, Robert Longo, Ernesto de Sousa, Julião Sarmento, Ângelo de Sousa, Jorge Molder, Noronha da Costa, Vítor Pomar. Interessa assim evidenciar a forma como esses objectos fílmicos acrescentam e reflectem uma identidade visual e plástica previamente construída ou como se transformam em domínios únicos de experimentação.


"Sedução, Cinema & Pintura", um óbvio pleonasmo, poderá conduzir a uma grande variedade de perspectivas e temas, susceptíveis de orientar diversos eventos, festivais, mostras, conferências. Na exposição, o conceito assume-se com um sentido preciso: a sedução é o denominador comum de obras de autor, no campo da pintura e no universo do cinema, quer com a apresentação de filmes e vídeos realizados pelos próprios artistas, quer na utilização pictórica ou fotográfica de imagens, composições ou ambientes conectados com narrativas ou aparatos cinematográficos.

A selecção apresentada começa com um nome significativo, Andy Warhol, o fazedor de imagens para uma sociedade de consumo superficial e ambígua. Fotografias suas de vedetas mediáticas e a sedutora figura do star system, Judy Garland, acompanham filmes feitos na Factory por Paul Morrissey como Flash (1968), Trash (1970), Heat (1972), Women in Revolt (1971) e a realização de Mary Harron I shot Andy Warhol (1996). Seguem-se artistas que acrescentam no cinema uma identidade plástica previamente construída, nas suas obras. David Salle, com Search and Destroy. Julian Schnabel com Before Night Falls ou Basquiat, reflexões sobre a liberdade cortada por imposições exteriores. Parasite (2003) de Julião Sarmento evidencia um olhar voyeurista sobre o erotismo, obsessivo na sua obra. Ernesto de Sousa no D. Roberto (1962) marca um teor chaplinesco ao serviço da crítica social. De Noronha da Costa, realizador e pintor da luz, O Construtor de Anjos (1978). De Cindy Sherman, apresenta-se Office’s Killer (1997). Robert Longo entra nos caminhos da ficção científica. Vitor Pomar numa aproximação Zen. Jorge Molder numa divagação da memória, em Linha do tempo (2000). Outros artistas, como Ângelo de Sousa transformam os objectos fílmicos em domínios de experimentação, numa coerência pura. No âmbito da sedução, apresentam-se, ainda, obras que traduzem o apelo do corpo, da representação social, das composições narrativas, com seus ícones e suas mitologias. Surge também o confronto inevitável entre discursos de apologia e aqueles que elaboraram a sua crítica – pela expressão da decadência e da obsessão.

Fonte: Página da Câmara Municipal de Sintra/Sintra Museu de Arte Moderna.