Wednesday, December 06, 2006

Génese seguido de Constelações


"O corpo desconhece-nos. E quem conhece o corpo?/ Na sua dinâmica indolência? Será que podemos ascender/ à coroa cerebral e em pura repecção/ sermos o todo do ignoto ser?/ Poderemos acaso consumá-lo num conhecimento que seria também o seu/ e o encontro a nudez do uno a pura plenitude?/ O homem constrói máquinas casas e sistemas mas ignora as possibilidades naturais/ com que poderia construir uma vida nova Ele desconhece a matéria materna/ que não se destina a ser manipulada ou arrancada a si mesma/ porque é o irredutível elemento do seu ser/ e a irredutível fonte que o erige e o move e o alimenta/ Quando erguerá ele o feixe solar das suas veias/ e iniciará a era da harmonia da unidade livre/ no centro dos seus poderes corporais/ para que a eterna adolescente adormecida sobre o dorso da terra/ abra o leque das suas falanges delicadas e o aceite no seu leito onde o mundo começa?"
António Ramos Rosa, Génese seguido de Constelações

A Casa Fernando Pessoa testemunhará hoje a entrega do Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2006 a António Ramos Rosa, pelo livro Génese seguido de Constelações.

Ramos Rosa com o peso do seu nome e da sua idade, ao celebrar os 80, assume o seu lugar de poeta e ensaísta de primeiro plano nas letras portuguesas contemporâneas! Génese toma lugar entre os poemas para o nosso tempo. Como um salmo ou um adágio no qual a lentidão é uma condição para o encontro com uma “coisa amada deliciosamente nua”. Constelações oferece uma calma do sétimo dia, um silêncio. António Ramos Rosa, genial poeta, de escrita torrencial, compulsiva, volta ao seu melhor, sem abandonar a ansiosa procura do absoluto, do primordial, da unidade do mundo. A sua poesia é sempre bela e riquíssima de sugestões e a aventura das palavras que é a sua poesia não deixa indiferentes os que a lêem. É assim que em Génese - e também em Constelações – o poeta me toca uma vez mais.

7 comments:

pensamentos_vagabundos said...

e fica aqui comigo a tua sugestão...
abraço vagabundo

Luís said...

Apesar de considerar que a arte não precisa de prémios é sempre bom verificar que é apreciada e estimulada.

Tino said...

Muito bom!

Grande abraço!!!

Kalinka said...

António Ramos Rosa oferece-nos Constelações, que nos oferece uma calma do sétimo dia, um silêncio.

E, tu ofereces a possibilidade de sabermos mais sobre António Ramos Rosa, genial poeta, de escrita torrencial, compulsiva.

A sua poesia é sempre bela e riquíssima de sugestões e a aventura das palavras que é a sua poesia não deixa indiferentes os que a lêem.
Muito obrigado pela partilha.
Beijo + abraço

Mel said...

Sintonia "brother" ... Ramos Rosa, não comento ...
" O corpo desconhece-nos. E quem conhece o tempo?"
Num outro registo (infinitamente inferior) o meu Post ... sobre o desconhecimento do Eu e ... sobre constelações ...

O Livro? Não li, não senhor! Mas podes emprestar-mo que te agradeço ... que fiquei de água na boca

***
Bjs grd ... enormes, para o meu "brother bisbilhoteiro social" como eu ...

pianola said...

Um dos meus poetas preferidos. António Ramos Rosa. Bom dia.

Não gosto do Natal com férias no Brasil, idosos abandonados nos corredores dos hospitais, gente a dormir na rua.

amadis / pintoribeiro said...

Aplauso imenso. O Poeta. Abraço.