Sunday, January 28, 2007

à beira do precípicio...

Anche Libero va Bene
Renato e os filhos Tommaso e Viola formam uma família unida, apesar do drama em que vivem depois de a mãe das crianças ter abandonado o lar. Para lá da fúria, dos falhanços e da inconsolável solidão, é o seu amor que vai cimentando a relação. Pois é, apesar de todas as imperfeições de uma família desagregada, a paz acaba por se instalar entre os três. Até ao regresso inesperado de Stefania, que vem perturbar os frágeis equilíbrios conseguidos e volta a desenterrar a dor e a despedaçar sonhos. No entanto, em todas as imperfeições de uma família desagregada - boas intenções, desesperada humanidade, inconsolável solidão, fúria de emoções, por vezes dolorosa e cruel - a importância de um grande amor é fundamental para manter os laços de qualquer união fortes e vivos. Aparentemente quem mais sofre é Tommy, de 11 anos de idade. Exemplo de vida dentro das paredes domésticas, que se inspira, embora de forma muito livre, no cinema do Neorealismo, À Beira do Precipício, discorre sobre o conceito da maneira de viver a infância, de ser filhos da nossa infância, e das diferenças dos olhares que podem ter um pai e um filho sobre o mundo. Experiência contra a inocência, cinzento contra azul. E assim Tommy, que vive noutros mundos (a artificial família burguesa do vizinho de casa que espera por ele de braços abertos), quando pode fecha-se na dor (para ele a mãe, que volta, é um perigo não uma satisfação) e esconde-se no seu amado telhado para olhar o que acontece lá em baixo. Ao contrário, Renato, não pode fugir, porque o seu tempo acabou, desabafando a raiva contida contra tudo e contra todos, ou seja, contra ele próprio. É a sua alma nobre que o safa, sendo um filho da inocência perdida que reaparece graças ao amor. Uma, duas, três lágrimas não pedem licença para rolar naquela sala meio vazia do King, um cinema sempre perto de mim.

7 comments:

osangue said...

Boa noite e um abraço.

Maria P. said...

Sendo como sou, não seriam uma nem duas lágrimas, mas mais...

Boa semana.

PR said...

Salte-se, portanto. Boa semana, abraço.

Vulcano Lover said...

A historia da humanidade na vida minúscula e gigante da família, da desagregação mesmo, na luta pequenina da conquista do amor e de si mesmo. É certo que as miradas deses universos seguramente conmovem...
Abraço-

Mel said...

Como sabemos, é dentro do núcleo familiar que se desenrolam e se desenvolvem todos os processos primários de socialização. O que aprende e o que se apreende, num primeiro palco - a família -, será determinante (ainda que não exclusivo) face ao nosso posicionamento futuro.

Não existem famílias perfeitas. A perfeição não existe em campo nenhum da nossa vida. Não obstante, todos a procuramos e a desejamos.
***
Do filme? Não vi.
Das lágrimas? Ainda bem que ainda as consegues libertar. Não te desumanisas-te neste mundo cada vez mais egocêntrico e menos cooperante.

***
Como sempre uma excelente nota, que nos suscita o interesse pela obra, seja ela o cinema, a arte ou um livro.

Bjs brother
Mel

Isto e meu...Silvia said...

Não conheço... Estou a falhar.

Não vou comentar para não dizer asneiras.

Uma boa semana para ti Luís.

Um Baci e um :)

Luís Costa said...

Um filme certamente interessante. A família pedra fundamental da sociedade. E o amor o "grande amor que é fundamental para manter os laços de qualquer união fortes e vivos. " Gostei de ler a sua crítica.