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Monday, January 22, 2007

bruscamente em Londres...

Breaking and Entering
Will (Jude Law) e Sandy têm uma próspera firma de arquitectura paisagista e recentemente mudaram-se para King´s Cross. O atelier, com o que há de mais avançado em tecnologia, é constantemente alvo de assaltos. Após uma novo furto, Will resolve perseguir um dos ladrões, o jovem Miro que o leva até o apartamento em que mora com a mãe Amira (Juliette Binoche), uma refugiada bósnia. Will torna-se amigo de Amira para investigar o roubo, mas o relacionamento dos dois acaba tomando um rumo inesperado. Amira descobre que o filho roubou o escritório de Will e passa a suspeitar das verdadeiras intenções do arquitecto. Desesperada, ela começa a chantagear Will para proteger seu filho. O filme traz ainda Liv, a namorada sueca de Will, que passa a maior parte do tempo preocupada com sua filha problemática de 13 anos Bea. Com a vida em crise, Will vai então embarcar numa aventura apaixonada e descobrir o lado mais selvagem de si próprio e da cidade em que vive.
Assalto e Intromissão retrata as mais diversas nacionalidades que vivem na capital britânica, numa Londres em plena mudança cultural e geográfica. É uma história sobre os mundos que coexistem em Londres, que colidem, ultrapassam os limites uns dos outros e se entrelaçam. Mundos aos quais não prestamos a devida atenção, que julgamos ou, ainda pior, que vemos de um modo muito condescendente. Os Imigrantes não são de facto um tema vendável. Como se sobrevive como imigrante se no país natal o indivíduo que era pianista, cientista ou professor e de repente noutro país se vê forçado a ser costureira, homem das obras ou a trabalhar a dias?
Em Londres de hoje, tal como em Portugal, contamos com um grupo invisível de sérvios, ucranianos, eslovacos, bósnios, brasileiros, mexicanos, nigerianos, ganenses: pessoas que fazem os trabalhos que detestamos fazer. Eles são na maioria invisíveis para o bem-estar social, são invisíveis culturalmente, mas começam a ser uma forte realidade estatística. Interessante ver Londres e analisar o grau dos privilegiados e o grau dos “desprivilegiados” que convivem agora no mesmo espaço.
Confesso que não tinha muitas expectativas quando entrei na sala de cinema mas o filme acabou por me tocar e Jude Law oferece-nos uma interpretação comovente.

Scoop

O falecido jornalista britânico Joe Strombel, cuja morte os colegas ainda choram, mantém-se empenhado em seguir uma pista sobre a identidade de "O Assassino da Carta de Tarot" que está à solta em Londres. Mas na sua actual condição, como consegue ele prosseguir com a sua investigação? Através de Sondra Pransky, que está bem viva! Sondra é uma estudante de jornalismo norte-americana que está de visita a uns amigos em Londres. Durante um espectáculo de Sid Waterman, um ilusionista americano, Sondra entra em pânico quando se apercebe que consegue ver e ouvir Joe. Do além, Joe fornece-lhe o maior furo da sua vida e incentiva-a a segui-lo... Esta perseguição atira-a para o perfeito Peter Lyman, aristocrata britânico, e Sondra depressa descobre que a paixão da sua vida poderá bem ser o perigoso furo que ela tanto procura.

O tema, tratado sob uma vertente humorística, tem uma forte componente policial em que não se procura o suspense mas antes o desmontar dos processos habituais em filmes deste género. Cruzam-se as informações e as suspeitas, constroem-se pistas, montam-se e desmontam-se amores. O crime está sempre potencialmente presente, mas ao mesmo tempo visivelmente inviável e rapidamente sujeito a castigo. De Scoop tira-se uma boa análise da comparação de culturas e costumes entre americanos e ingleses, sobretudo em função do comportamento do ilusionista (Woody Allen). Se, já na América, o actor era um inadaptado em relação à sociedade, por maioria de razão se sente agora numa posição pouco confortável, capaz de criar momentos hilariantes. Sobretudo a condução pela esquerda, pelo lado errado, é algo que lhe faz muita confusão. Woody Allen continua em forma nesta sua fase inglesa, deixando para trás Nova Iorque que retratou sabiamente ao longo de anos.

[Dois filmes que valeram a pena, ainda que em exibição nas salas dos cinemas pipoca]

Breaking and Entering
Scoop

Monday, September 18, 2006

o paciente inglês...

THE ENGLISH PATIENT

Ainda não completamente refeito do impacto que me causou a peça The Pillow Man, chego a casa e revejo na RTP1 o Paciente Inglês. Não foi a melhor forma de me descontrair, mas deixei-me levar, uma vez mais, por estas imagens perturbadoras.

Durante a 2ª Guerra Mundial um avião cai no meio do deserto no Norte de África. Um homem, profundamente queimado, é salvo por uns nómadas e acaba num hospital de campanha na Itália. Hana, uma jovem enfermeira, decide permanecer num velho mosteiro com o seu "paciente inglês". Moribundo, o homem conta a Hana a sua história. Chama-se Almasy, é arqueólogo e chegou ao Cairo em 1938. Apaixonou-se perdidamente por Katherine, a mulher de um amigo, cartógrafo e agente secreto britânico. O romance entre Almasy e Katherine acaba por perturbar o marido dela, que morre ao tentar mata-la. Ferida, Katherine fica sozinha no meio do deserto enquanto Almasy tenta encontrar auxílio, chegando ao ponto de colaborar com os nazis para a salvar. Devido a uma série de peripécias e equívocos Almasy chega demasiado tarde para salvar a vida de Katherine. O seu avião é abatido sobre o deserto e agora implora a Hana que o deixe morrer. O Paciente Inglês foi um dos grandes sucessos de 1996 e um dos mais memoráveis vencedores de sempre dos Oscares da Academia de Hollywood. Nove Oscares, incluindo os de melhor filme, melhor realização e melhor actriz secundária, para Juliette Binoche, consagraram a romanesca e melodramática adaptação ao cinema do "best-seller" de Michael Ondaatje. Uma trágica história de amor entre um aventureiro inglês e uma mulher casada, no meio das areias do Egipto com a 2ª Guerra Mundial em pano de fundo, é o tema central da excelente e clássica realização do britânico Anthony Minghella. Um filme belo, comovente, nostálgico e grandioso, sobretudo pela sua fascinante carga romântica, construído com a sumptuosidade das grandes reconstituições de época, onde se destacam, para além de Binoche, as magníficas interpretações de Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas e Willem Dafoe.