Thursday, December 28, 2006

a mulher de Pedro sabe o segredo...


Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.
Levítico 20:13

"20,13" remete para o Salmo Levítico do Antigo Testamento, com um versículo que menciona um crime.

Norte de Moçambique, véspera de Natal de 1969. Filmado de modo tenso os laços de camaradagem entre homens forçados a matar ou morrer, onde aquilo que se é (branco, preto, nortenho, alentejano, intelectual, analfabeto, homo- ou heterossexual) pouca importância tem face à necessidade de garantir a sobrevivência do grupo e é nesse enquadramento que as pessoas mostram o pior e o melhor de si próprias.

Uma patrulha percorre a picada, de regresso ao aquartelamento, trazendo prisioneiro um guerrilheiro da Frelimo. Percebe-se que estão arrasados, que avançam sob um calor sufocante, mas apesar disso, aceleraram o passo. E não é só por causa do perigo que estão ansiosos por voltar ao quartel, é também porque não é um dia qualquer: é dia 24 de Dezembro e há festividades em perspectiva. Uma farra, para iludir a tristeza de estar longe e, por umas horas, tentar esquecer a guerra, contando com a trégua tácita, normalmente respeitada no dia de Natal. Mas, desta vez, não será um dia tranquilo.
E os primeiros sinais de tensão têm pouco a ver com a guerra. São conflitos privados, que começam com a chegada de um helicóptero, onde, além do capelão que vem celebrar a missa de Natal, vem também uma mulher atraente – a mulher do Capitão, uma visita inesperada e indesejada. Mas todos fazem um esforço para manter as aparências. Para não estragar a noite de Natal. Noite que se transforma num pesadelo. O prisioneiro é encontrado morto na sua cela. Não se sabe porquê, nem por quem. Depois, subitamente, a escuridão é rompida por uma sucessão de explosões. Em vez da esperada trégua, o quartel é alvo de um ataque violento e prolongado (as cenas de combate têm uma verossimilhança jamais vista em cinema português).

Durante essa noite, a violência da guerra cruzar-se-á com a violência das paixões, e a coragem para desafiar a morte, com o medo para enfrentar a vida. E alguns segredos não resistirão ao nascer do dia.

Aquele que não tiver segredos (pelo menos um) atire a primeira pedra à realização deste filme….
20,13 - trailer

17 comments:

rui-son said...

Eu admito que não cultivo muito o cinema português... não sei, não me tem conseguido cativar. Então coisas como "O crime do Padre Amaro" nem na televisão os vejo. Mas este filme parece que trânspira algo de diferente e já me despertou a curiosidade.

Venezina ou AVeneziana said...

Para além de nos remeteres para a "obrigatoriedade" de ver mais cinema português, remetes-nos para uma questão de ordem mais "dogmática"... os segredos.
Quem de entre nós não têm "luas Ocultas"? Quem de entre nós, num qq tempo, não viveu situações que não trocaria por bem nenhum deste mundo e que, aos olhos dos outros, podem parecer "pouco recomendáveis"?
Não é ai que se encontra o mais belo de nós?
Nas profundezas do nosso baú secreto?
Olha, meu “brother”, a escrita até há cerca de 10 meses era uma dessas faces em mim... escrevia apenas para a gaveta. Nem aos mais próximos dava a ler os meus textos ..
Um dia, uma andorinha chamada sonho poisou no meu ombro. Entre nós estabeleceram-se "segredos" sem fim ...
Ela deitou-me líquido revelador sobre as asas e eis que, senão quando, para a seguir no sonho e no voo, abri uma parte oculta e cheguei aqui... onde nos encontrámos.
Criei o Projecto Gôndola e, o resto de alguma forma já conheces.
Virei "Fada" dos Sonhos ...
Meldemim, Karmel, Lia ... etc... em cada noite, uma Fada, ou nas mais negras a "DarkMoon"... a face oculta da Lua ... Segredos?
Não! A nossa identidade multiplicada e expandida num varal de ventos ...


Bjs imensos d(a)e Mel

0pintas said...

Gostei carai! Bom dia.

Elsa said...

Gostei dessa... "quem não tem um segredo que atire a primeira pedra"... é sempre bom vir aqui, Luís. Obrigado

Isabel said...

Também me "aguçaste" a curiosidade.

Com a frase das pedras fizeste-me lembrar a cena hilariante dos Monty Python na Vida de Brian!

Boas entradas Luis.

pintoribeiro said...

Um bom ano e um abraço amigo.

Tino said...

Tenho curiosidade de ver este filme. Boa sugestão!
Mas eu vim mesmo foi desejar-te um grande 2007 e deixar um abração!! ;)

Maria P. said...

A Casa de Maio não tem pedras.

E o Luís consegue terminar o ano sem saber o segredo...mas a segredar interessantes assuntos.

Um feliz Ano Novo.

Silvia said...

Mais um ano chega ao fim... É tempo de renovar a esperança, de procurar ouvir os sons dos pássaros nos bosques, de agradecer a Deus cada um dos raios de sol que Ele envia para nos iluminar.
Chegou a época de fazer um balanço de tudo o que aconteceu e de mentalizar que o próximo ano será melhor, certamente! Que as dificuldades passadas nos inspirem a caminhar com mais firmeza; que os problemas nos incentivem a procurar soluções e a lutar por boas ideais, sem nunca perder a ternura! Enfim, que o amor prevaleça sobre todas as coisas...

Um Feliz Ano Novo!!
Com muito carinho e sincera esperança,
Silvia.

Um beijo e um :)

Jonice said...

Sugerir que atirem a primeira pedra é muito sábio ... não haverá quem não pare e pense ...
Um feliz ano novo pra ti também Luís!

Amaral said...

A violência da guerra e um versículo bíblico, onde "Deus" mata, uma vez mais...
O tema que relatas provoca um interesse antecipado!

sem-comentarios said...

É um dos melhores temas para a realização de um filme português.
Concerteza, que fiquei com curiosidade em relação a ele.

Um excelente 2007

bj**

maria said...

Eu não atiro, e ninguém atirará, certamente...Contudo, temos muitos mais segredos comuns do que pensamos...
Beijinho e a realização de tudo de Bom que desejes para o Novo Ano...:)

Sean Hagen said...

*


com ou sem segredos, que 2007 seja um ano cinematográfico: um roteiro instigante, ótima música, fotografia deslumbrante e um casting de primeira.
felicidades desde o sul desse imenso brasil irmão.



*

Filipe Freitas said...

Gostei deste texto !
Recordo-me de tudo o que se via na TV sobre a Guerra no Ultramar...(o que não se via ficará escondido para sempre...)
Também não me posso esquecer daquelas mensagens de Natal enviadas sempre nesta altura pelos nossos soldados, e sobre isto também haveria muito que contar...
Agradeço a visita ao meu blog e retribuo os votos de um Bom Ano de 2007.
Abraço.

AnaG. said...

Que a paz e o amor estejam sempre presentes na tua vida e em todos os momentos do ano que vai chegar.
Não podemos também esquecer a tolerância e a solidariedade.

Feliz Ano Novo.

Lucinda said...

Caríssimo,

Com este relato, despertou a minha curiosidade para ir ver este filme...admitindo desde já que o seu relato é suficientemente estimulante!
África e Guerra colonial são ingredientes fantásticos, para cnostruir histórias que muito se podem aproximar das diferentes realidades vividas pelos diferentes intervenientes...eu própria, teria testemunho vivido em Angola, sobre os aspectos corrosivos e marcantes do que foi este pesadelo, mas quantas histórias de vida se alteraram e adulteraram em função desta guerra ainda tão pouco explorada em termos de relatos, traumas e marcas para o resto da vida...