Thursday, January 03, 2008

o assassínio de Jesse James...

Duas horas e 40 minutos em companhia d’ O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford. O filme que relata as actividades do mais afamado bandido da América e do seu hipotético assassino brinda o espectador com uma renovada visão da lenda. Jesse James foi uma das primeiras e genuínas celebridades do país. Numerosos contos foram escritos acerca deste célebre facínora – ao que parece deliciosos, centralizados numa personagem de contornos míticos, capaz de feitos audaciosos. Para aqueles que ele extorquiu e amedrontou, e para as famílias daqueles que ele trucidou, ele poderá não ter passado dum maldito, mas uma leitura dos periódicos e dos romances de cordel onde eram arroladas as crónicas do bando, ao longo de toda a década de 1870s, apresenta uma personagem digna de respeito. Pintado como um Robin dos Bosques, que assaltava bancos e proprietários de caminhos-de-ferro suspeitos de explorar os aziagos agricultores. Mas encarado, igualmente, como um símbolo de liberdade e do espírito americano, um insubmisso carismático que despistava a ordem e vivia segundo as suas próprias regras. Entre os seus fãs, destacava-se Robert Ford, um ambicioso que sonhava com a possibilidade de um dia cavalgar ao lado do seu ídolo. Não imaginava ele que a História viria a considerá-lo como o cobardola, que atingiu pelas costas um dos célebres mitos do Oeste americano.

Mas quem foi Jesse James – para além da personagem? E quem foi Robert Ford, que aos 19 anos conseguiu abater uma figura tão admirável, quando as autoridades de diversos estados haviam falhado? Como se tornaram eles íntimos e o que se passou entre eles nos dias e nas horas que antecederam o tiroteio que viria a pôr fim à vida de um homem e viria a resumir por completo a vida de um outro?

Um filme que sai fora do western característico, em que a distinção entre heróis e vilões não é precisa. Um western adaptável aos sinais culturais dos tempos. Uma autêntica peça shakespeariana. Favorecido com uma fotografia de cortar a respiração e uma cenografia excepcional, o filme surpreende.

Um filme que merece ser visto…

19 comments:

Maria P. said...

Mais uma excelente sugestão.

Bom fim-de-semana Luís*

avelaneiraflorida said...

Caro Luís,

relembro os filmes de westwern em torno deste mito!!!!
mas depois de ler este texto quero ver o filme na versão moderna!!!
"Brigados"por mais esta dica!!!

The White Scratcher said...

Sempre excellentes dicas, obrigado.

cad said...

méxi, lili
:)
bixous

pentelho real said...

vou tão pouco ao cinema...




bom 2008

Daniela said...

Já estava com água na boca por causa deste filme, pronto este post acabou comigo. Amanhã vou ao cinema e não sei porquê mas vou unir as minhas forças para nos conseguirmos dirigir para a sala deste filme!
Obrigada Luís, sempre muito bom :)

Maria said...

Vi a versão anterior. Aliás, vejo de vez em quando, pois tenho o filme.

Bom fim-de-semana, Luís

isabel mendes ferreira said...

a fotografia é um verdadeiro luxo!!!!!!




o "ensaio" aqui é a visão de quem sabe "ver".



abraço.

RedLightSpecial said...

Olá Luis. Espero que tenhas entrado em força neste 2008!
Quanto ao post, um western é à partida aquele género de filme que não me leva a uma sala de cinema... contudo fico curiosa com este, com esta nova roupagem.
Verei!
Beijos e bom fim de semana para ti!

Blue Velvet said...

Não conhecia esta versão de Jesse James, mas o que gostei demais foi da frase " que viria aresumir a vida de outro".
Assustador, não, pensar que a vida de alguém se pode resumir a um momento, um acto, um pensamento!
Um texto de luxo, como sempre.
Beijinhos, Luis

Outonodesconhecido said...

Olá Luís.
Obrigada. Estava na dúvida. nada como vir ao meu blogue favorito.
Jasmim, cada vez mais outonodesconhecido
Bom fim de semana

lua prateada said...

É verdade os wetrns que eu tanto amava e continuo amando mas que já não existem...
Obrigada pela visita, minha lua agradece e deseja que este novo ano te dê tudo o que mais ânseias.Belo e feliz fim de semana.
Beijinho prateado com carinho
SOL

Paula Crespo said...

Estamos sintonizados: o meu último post é sobre o mesmo tema!
Belo filme este, muito bem filmado e representado. Agora quero ver os outros dois que vêm aí.
P.S.: Não é um western... é um filme sobre gangsters - é diferente.

Kalinka said...

LUÍS
há 8 dias que estou c/uma broncopneumonia, ou seja, deixei o ano velho e entrei no novo neste terrível estado.

Sobre este filme já vi por 3 vezes a sua apresentação e parece-me que vou gostar...

Muito obrigado pelo teu carinho em 2007, espero continuar a contar com ele durante 2008.

Beijo.

BOM ANO.

pinguim said...

O western clássico morreu um pouco com o desaoarecimento dos seus intérpretes míticos: John Wayne, James Stewart, Gary Cooper, Henry Fonda, entre outros; depois apareceram os western spaghetti, alguns divertidos e alguns novos mitos, com destaque para Clint Eastwood.
A partir daí terá que haver algo de novo, pois não acredito no rescussitar do western clássico ( e tenho pena...)
Abraço.

Oliver Pickwick said...

Sou apaixonado pela velha escola, aquela caracterizada por filmes como no Tempo das Diligências (Stagecoach), de John Ford. No entanto, revi meus conceitos quando assisti Era Uma Vez No Oeste (Once Upon a Time in the West), de Sergio Leone, ajudado pela genial música de Enio Morricone.
Sobre O Assassinato de Jesse James, depois de ler o post da amiga Paula Crespo aí de cima, meio-incrédulo acerca de alguma provável inovação, resolvi assistí-lo.
E a minha impressão foi muito próxima do que escreveu aqui, prezado Luís.
Quanto à fotografia, ainda que muitos não gostem do filme, com certeza apreciarão a sua qualidade.
Abraços!

Claudia Sousa Dias said...

Vou ver. Sem dúvida!

abraço


CSd

isabel mendes ferreira said...

posso ser um pouco indiscreta????

não se zangue,,,é mesmo mera curiosidade: a sua opção pela hora tardia (que me sensibiliza e muito) é uma exclusão do piano?

beijo.

Zinna said...

Thanks for writing this.