Sunday, June 28, 2009

em romântico apelo...

(imagem retirada daqui)

Apareceste, como o brilho de uma estrela reflectido num lago triste! E entendemo-nos, silenciosos/ Fico embriagado com o teu aroma e o teu olhar/Como quando criança via o mar, que fazia cintilar de alegria os meus olhos fascinados.

Em momentos de tédio, fumo, cinza e dor intensa, em instantes de ansiedade, lágrimas amargas, vinho forte e noites escuras, pensava, nos meus desassossegos infundados, que nunca virias/Mas, agora, o que não entendo, é termos, tu e eu, podido estar, tanto tempo, separados/De teus passos nenhum vestígio havia.

Já que enfim chegaste, fica próxima de mim, muito presa aos meus braços e dança comigo voluptuosos tangos argentinos, corpos entontecidos em fortes abraços; e se o medo no meu espírito se erguer, tal carrasco abastecido de desumanidade, peço-te que ponhas de permeio teu imenso coração a bater.

Em romântico apelo/Ilumina, com o teu, o meu pensar/Que, sem ti, sou uma pobre alma fatigada, a vaguear.
Luís Galego

21 comments:

Jonice said...

Uau! Belíssimo, Luís!

Beijo :)

Violeta said...

Gosto do romântico apelo.
Bjs e bom domingo

Malu said...

Desculpa-me, pelas invasões às tuas páginas...
Mas és tu um "livro de cabeceira" aos que procuram a delicadeza das palavras para entender o que corre e ocorre por entre os caminhos dos sentimentos humanos.
Por trás das fragilidades das escrituras a antítese no sentir.
Grande abraço

RedLightSpecial said...

Que tangos despidos assim te vistam sempre a alma de sentimentos plenos!
Bom Domingo!

AnaLee said...

Mais um momento de requinte a fazer-nos renascer a esperança...

maria said...

Belíssimo poema. É audível a musicalidade e apetece dançar ao som de tão belas palavras. A alegria do reencontro ultrapassa a tristeza das lágrimas amargas choradas à distância de tão insuportável silêncio. “Mas, agora, o que não entendo, é termos, tu e eu, podido estar, tanto tempo, separados/De teus passos nenhum vestígio havia.” Mas, agora, o tango pode ser dançado e a sua voluptuosidade sentida nos corpos. Aqueles corpos que necessitam de respirar o mesmo oxigénio, ouvir a mesma música, ler as mesmas palavras… e que, na solidão, nada mais são do que “pobres almas fatigadas, a vaguear”.
Um abraço.

Ana Paula said...

Olá, Luís!

Há um prémio para si, no Fio de Ariadne.

Obrigada pelos seus textos, em elegante metamorfose ao longo do tempo... :)

Nortinha Vicente said...

O que somos nós senão pobres almas fatigadas? Em busca infinita por vezes daquilo que nem sabemos! E o que é a vida senão essa busca constante!? Gostei imenso...até breve!

Avelaneira Florida said...

De repente,relembro as palavras de um outro poema...de Pablo Neruda!!!!
a aproximação que não se prevê...e que chega!!! Como se isso fosse o mais natural do fluir da vida!!!!

O sentir...idêntico!!!!
Sabe bem sentir em poesia!!!!

Thiago M. said...

Bem sei, o risco de um comentário vulgar sobre a excelência da tua inspiração. Mas, apesar de evidente vulgaridade da minha parte, aqui fica explícito o meu habitual apreço na leitura dos teus textos. Atrevo-me ainda acrescentar numa vulgaríssima presunção de poder dizer alguma coisa de jeito, que este texto me lembra que é na fronteira entre necessidade de liberdade e paixão de domínio que se decide o sucesso de viver com todo o seu sentido. Note-se que o ter a segurança de possuir uma especial iluminação não exclui, antes força à sua procura (“em romântico apelo”) pelos caminhos em que essa luz se torna presente.

Anonymous said...

love...
love...
love...

kiduchinha said...

Lindo! Lindo! Obrigada Luís por estes belos momentos de poesia e sensibilidade! ;)
Boa semana!
Beijocas grds

giramundo said...

Estou meio paralisada diante desse
"Romântico apelo"... Vislumbro a
impetuosidade do mar com o seu vai-e-vem de altas ondas serenando ao
chegar na praia,nos oferecendo sua melodia apaziguadora. Uma imagem que nos faz sentir a paixão e o gozo de um amor profundo e ao mesmo tempo cheio de surpresas...!
Tão bom saber que ainda existem poetas para expressar tão belamente
o amor.
Quero aproveitar a oportunidade para deixar meu agradecimento pela deferência que nos fizeste.As referências sobre Lisboa foram valiosíssimas!
Um grande abraço

giramundo said...

Estou meio paralisada diante desse
"Romântico apelo"... Vislumbro a
impetuosidade do mar com o seu vai-e-vem de altas ondas serenando ao
chegar na praia,nos oferecendo sua melodia apaziguadora. Uma imagem que nos faz sentir a paixão e o gozo de um amor profundo e ao mesmo tempo cheio de surpresas...!
Tão bom saber que ainda existem poetas para expressar tão belamente
o amor.
Quero aproveitar a oportunidade para deixar meu agradecimento pela deferência que nos fizeste.As referências sobre Lisboa foram valiosíssimas!
Um grande abraço

giramundo said...

A cada visita que te faço,minhas
palavras vão diminuindo, fico sem saber o quê dizer. Como se eu fosse
o mar, suas ondas, aquele vai-e-vem
impetuoso e sereno quando chega à praia...
O quê falar diante de tão belo apelo? Apenas sonhar. E ver o mar.
E ouvir sua melodia.E acalmar o amor, este sentimento impetuoso e profundo que aflora quando lemos um texto de um poeta tão forte quanto o mar!
Quero aproveitar a oportunidade para agradecer as referências sobre Lisboa. São valiosíssimas e acredito que serão bem aproveitadas.
Um grande abraço

almas said...

Só os poetas para compreender tão bela dança...

" Tú sabes que jamás suplico nada,
y me sabes cautivo de tus huellas, que vivo en la región de tu mirada
y comparto contigo las estrellas"

"Un gran amor se nos acaba un dia
y es tristemente igual a un pozo seco,
pues ya no tiene el agua que tenia
pero le queda todavía el eco."

Maria Ribeiro said...

O último parágrafo é ,decididamente, APELATIVO. Um narrador autodiegético que interliga o Passado ao Presente, na desmesurada ansiedade da solidão...O apelo é romântico...mas angustiado, com medo de perder a "âncora"...O narrador tem que se dar, sem dúvidas, para não continuar a vaguear!
BEIJO de lusibero

AnaLee said...

Onda andam os textos do infinito que nos iluminam a semana? Tardam desta vez...

isabel mendes ferreira said...

LUIS!


apenas uma Palavra:

SOBERBO


SOBERBO


e SOBERBO!






_____________beijos.

Mar Arável said...

No ciclo das marés

nada se repete

As suas palavras são um belo apelo

um grito que ecoa

Abraço

Violeta said...

Boas férias e até breve.